Mostrando postagens com marcador Internacional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Internacional. Mostrar todas as postagens

7 de maio de 2012


Milhares festejam nas ruas a vitória de François Hollande
Imensa, coletiva, assombrosamente jovem e liberadora, como uma lufada de um perfume renovador, como o fim de um pesadelo, barulhenta e comovedora até às tripas: a alegria que explodiu nesta noite de domingo em Paris, após a confirmação da vitória do socialista François Hollande, é indescritível. As pessoas cantam e dançam na Praça da Bastilha, correm pelas ruas com bandeiras francesas, garrafas de Champagne, retratos de Hollande e rosas na mão. Esta explosão coletiva tem o nome mais humano que se conhece: esperança. Sarkozy deixou atrás de si um país agredido. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.
Eduardo Febbro - De Paris
Paris - 31 rosas depois e uma frase que marca um rumo: “a austeridade não pode ser mais uma fatalidade na Europa”. Três décadas e um ano separam a vitória do socialista François Miterrand à presidência da República (maio de 1981) do triunfo eleitoral obtido neste domingo por François Hollande por 51,70% contra 48,30% dos votos. O modelo mais refinado do anti-herói derrotou nas urnas a versão mais xenófoba e ultrajante do liberalismo europeu: Nicolas Sarkozy ficou sem o grande sonho de revalidar seu mandato ao cabo de uma década no poder na qual seus cinco anos de presidência ficaram marcados pela panóplia de seus excessos, as promessas não cumpridas, as reformas pela metade, o desemprego, o desmonte do Estado de Bem-estar, o personalismo às últimas consequências, a arrogância e a violência racial com a qual, de uma forma ou de outra, tratou os estrangeiros.
A França encerrou uma fase na noite deste domingo e resgatou do frondoso bosque liberal a socialdemocracia europeia. Paris treme com os buzinaços e os gritos e cantos de alegria que cobrem a Praça da Bastilha. “Sarkozy terminou”, “a França Forte é a França de Esquerda”, gritava à noite a numerosa juventude que se reuniu na sede parisiense do Partido Socialista, na rua Solferino. A grande maioria desses jovens só conheceu até hoje a ação política dos governos conservadores e a fulgurante agressividade de Nicolas Sarkozy. Agora estão diante de uma nova perspectiva: “a mudança começa agora”, disse o presidente eleito no primeiro discurso que pronunciou desde Tulle (na região de Corrèze, centro sul do país), cidade da qual foi prefeito.
Pela mão de um homem discreto, sem a mais longínqua sombra de suntuosidade, que jamais ocupou um cargo ministerial e por quem, há um ano, nem seus mais fieis partidários apostavam as fichas como presidente da República, o socialismo francês regressa ao poder 17 anos depois da última vitória de François Miterrand (1988). O triunfo de Hollande é o resultado de uma construção pessoal que se plasmou logo depois de ter passado 11 anos como primeiro secretário do PS e outros dois elaborando a plataforma com a qual, no ano passado e em meio ao marasmo provocado pela queda do ex-diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn (o candidato socialista até então campeão nas pesquisas). François Hollande saiu do nada. “Hollande? Não, impossível, é uma piada”, diziam seus opositores de direita e alguns elefantes do Partido Socialista. Ele os derrotou.
Logo depois de ser eleito em 2007, Nicolas Sarkozy havia dito que ao final de seu mandato queria ser julgado por duas variáveis: a taxa de desemprego e a redução da pobreza. O julgamento veio das urnas: há um milhão a mais de desempregados e vários milhões de pobres. François Hollande pediu à história outro julgamento, o dos “compromissos maiores, com a juventude e a justiça”.
O presidente eleito disse domingo à noite que cada uma de suas “decisões se baseará em dois critérios: por acaso é justo e beneficia verdadeiramente a juventude?” A vitória do socialista francês tem, além disso, outra conotação: sua chegada ao poder rompe a cúpula hegemônica que governou a Europa nos últimos anos e que ficou conhecida como Merkozy. A dupla composta pela chanceler alemã Angela Merkel e pelo presidente Nicolas Sarkozy impôs a Europa uma única via: a austeridade sem crescimento como método e disciplina. Até que François Hollande chegasse com sua candidatura, fora dos ajustes e da restrição dos gastos não havia outro caminho. A vida era isso ou nada. François Hollande foi o primeiro dirigente da UE que levantou outra bandeira e rechaçou a bíblia do rigor fiscal sem crescimento. Isso valeu a ele a afronta de um acordo secreto pactuado entre Merkel, o primeiro ministro britânico, David Cameron, o presidente do Conselho Italiano, Mario Monti, e o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, para não receber Hollande. Há dois meses, fecharam-lhe as portas. Agora, deverão colocar o tapete vermelho.

A margem da vitória de François Hollande foi mais estreita que a anunciada pelas pesquisas. Mas isso não diminui o denso golpe da história. A direita francesa protagonizou durante a campanha eleitoral, em particular durante as duas últimas semanas, uma desesperada corrida na direção da extrema-direita: fronteiras, imigração, segurança, violento discurso contra os meios de comunicação e uma vasta verborragia ultradireitista ocuparam os longos discursos de Sarkozy. Até o último momento, o atual presidente defendeu uma França ameaçada pelo mundo, pelos intercâmbios comerciais desequilibrados, os fluxos migratórios, os sindicalistas e os muçulmanos.
O conceito de “fronteira” foi para Sarkozy o antídoto contra essa massa tóxica que era o resto do planeta. À noite, no discurso que pronunciou logo após a divulgação dos resultados, Sarkozy disse: “não consegui convencer a maioria dos franceses. Assumo a responsabilidade pela derrota”. A extrema-direita com a qual tanto flertou o espera agora na primeira emboscada para esmigalhar o partido UMP e converter-se na força dominante da direita. Os conservadores têm dois inimigos em seu caminho: as eleições legislativas de 10 e 17 de junho e a extrema-direita da Frente Nacional. O enfoque moderado de François Hollande quebrou a contundente aposta ultradireitista e populista do presidente. Com ela, Nicolas Sarkozy pensou sepultar a impopularidade que o perseguia (60%) e o evidente fracasso de sua gestão. O sussurro socialdemocrata do presidente eleito tapou a fúria liberal. Sarkozy perdeu, como em toda disputa eleitoral, mas perdeu sem honra.
Imensa, coletiva, assombrosamente jovem e liberadora, como uma lufada de um perfume renovador, como o fim de um pesadelo, barulhenta e comovedora até às tripas: a alegria que explodiu nesta noite de domingo em Paris é indescritível. Agora mesmo, quando ainda se sente o tremor da história que traga o que quase já não está mais aí, as pessoas cantam e dançam na Praça da Bastilha, correm pelas ruas com bandeiras francesas, garrafas de Champagne, retratos de François Hollande e rosas na mão. Esta explosão coletiva tem o nome mais humano que se conhece: esperança. Sarkozy deixa atrás de si um país agredido: “demasiadas fraturas, demasiadas feridas, demasiados cortes separaram nossos concidadãos entre si. Isso acabou. O primeiro dever de um presidente é unir”, disse Hollande em seu discurso. Suas palavras já foram plasmadas no seio da esquerda, e isso o conduziu ao poder presidencial: uniu as correntes socialistas, atraiu os votos dos ecologistas e, sobretudo, agrupou em torno de sua a leal esquerda radical liderada por Jean-Luc Mélenchon na Frente de Esquerda. Quando François Hollande terminou seu discurso , uma mulher que estava na Praça da Bastilha, tinha os olhos cheios de lágrimas. Só conseguiu dizer: “Quando o escuto, tenho a impressão de voltar a minha casa. Este é o meu país”.
Tradução: Katarina Peixoto

22 de fevereiro de 2011

Fidel adverte que EUA poderão ordenar invasão da Líbia para controlar petróleo

tweet
Fidel advertiu que Estados Unidos poderão ordenar invasão da Líbia para controlar petróleo
HAVANA, 22 Fev 2011 (AFP) -O líder cubano Fidel Castro advertiu nesta terça-feira que os Estados Unidos não hesitarão em ordenar que a Otan invada a Líbia para controlar o petróleo e colocou em dúvida a veracidade das informações que descrevem uma sangrenta repressão ordenada pelo governo de Muamar Kadhafi.
"Para mim é claramente evidente que o governo dos Estados Unidos não se preocupa em absoluto com a paz na Líbia, e não vacilará em dar à Otan a ordem de invadir este rico país, talvez em questão de horas ou em alguns dias", escreveu o líder cubano em mais um artigo de opinião.
Fidel diz ainda que é preciso esperar para saber "o quanto há de verdade ou mentira" nas informações sobre os acontecimentos na Líbia, onde, segundo as ONGs, entre 200 e 400 pessoas teriam morrido nos últimos dias nas repressão do regime Kadhafi.
"Pode-se estar ou não de acordo com Gaddafi (Kadhafi). O mundo foi invadido por todo tipo de notícias, empregando especialmente meios de informação em massa. Mas é preciso esperar o tempo necessário para conhecer com rigor quanto há de verdade ou mentira, ou uma mistura de fatos de todos os tipos que, em meio ao caos, são produzidos na Líbia".

26 de maio de 2010

Le Monde: O Brasil de Lula é porta voz natural das economias emergentes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visto durante a inauguração da quadra Jamelão, na vila olímpica da Mangueira, no Rio de Janeiro
É Lula pra cá, Brasil pra lá! O mundo se agita com as declarações do presidente brasileiro e com as façanhas não somente futebolísticas de seus compatriotas.
Vimos Luiz Inácio Lula da Silva repreendendo a Alemanha por sua hesitação em salvar a Grécia, e oferecendo sua mediação no conflito entre Israel e Palestina.
Vimo-lo tentando, junto com os turcos, arrefecer a questão nuclear iraniana, e apoiar os argentinos em seu conflito contra os britânicos a respeito das Ilhas Malvinas e seu petróleo.
Mas “o homem mais popular do mundo”, segundo Barack Obama, não se apoia somente em seu carisma para falar em alto e bom som. Ele representa um Brasil em plena forma que, após uma depressão causada pela crise, segue de perto a China e a Índia em termos de crescimento.
A Petrobras, grupo petrolífero que é a empresa mais lucrativa da América Latina, a Vale, líder mundial do ferro, a Embraer, que poderá muito bem superar a Boeing e a Airbus em breve no setor de aviação, são apenas alguns dos orgulhos de uma economia industrial de primeira ordem.
No setor agrícola o crescimento é comparável, e valeu ao Brasil o título de “celeiro do mundo”. Soja, açúcar, etanol, café, frutas, algodão, frango, etc. fazem dele um concorrente temível para os produtores europeus.
Agora é o Brasil, representado de forma brilhante por seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que mais pressiona por uma conclusão das negociações da Rodada Doha. Em comparação, os Estados Unidos parecem presos em um protecionismo de outros tempos.
Menos temido que a China ou a Índia, de populações na casa dos bilhões, mais respeitado que uma Rússia dependente de suas matérias-primas, o Brasil é o verdadeiro porta-voz dessas economias emergentes que puxam o crescimento mundial. Com o eixo econômico do mundo se deslocando para o Sul, ele pode com razão exigir que aqueles que estão substituindo os países do Norte sejam mais bem representados nas instâncias internacionais, a começar pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Sem esquecer o Conselho de Segurança da ONU, no qual o Brasil almeja uma cadeira de membro permanente.
Porque “o século 21 será o século dos países que não tiveram sua chance”, e por ele acreditar estar “na metade de [sua] carreira política”, Lula, 65, poderá se candidatar ao secretariado geral da ONU em 2012. Ele também deverá lutar para melhorar o G20, cuja influência ele considera “muito pequena”.
Continuaremos a ouvir falar do ex-metalúrgico, amigo das favelas e dos investidores. Continuaremos a ouvir falar de um Brasil no despontar de seus “trinta anos gloriosos”.

3 de dezembro de 2009

EUA e Rússia não têm autoridade para criticar Irã, diz Lula


EUA e Rússia não têm autoridade para criticar Irã
Em Berlim (Alemanha)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, nesta quinta-feira, que Estados Unidos e Rússia eliminem seus arsenais nucleares "para terem autoridade moral" de exigir ao Irã que não produza armas atômicas.
"A autoridade moral para pedir aos outros para não terem é a gente também não ter", disse o presidente em Berlim, durante a visita oficial que realiza à Alemanha.

"O melhor é não haver armas nucleares no Irã e em nenhum país do mundo, e que os Estados Unidos e a Rússia desativem as suas", afirmou.
Se os dois países destruírem seus arsenais nucleares, "haverá mais argumentos para convencer os outros", acrescentou.
No mesmo contexto, o presidente lembrou que o país enriqueceu urânio para produzir energia elétrica, e que quer para o Irã "o mesmo que o Brasil tem".

Em comunicado de imprensa conjunto, Lula e a chanceler alemã, Angela Merkel, manifestaram a esperança de que o Irã "responda positivamente" à oferta da comunidade internacional e pediram ao país para "cooperar inteiramente" com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e para cumprir as resoluções das Nações Unidas.
O comunicado não menciona a possibilidade de impor sanções ao regime islâmico, mas Merkel disse que a questão também está sobre a mesa, caso o Irã siga em frente com seu programa nuclear e manifeste intenção de construir uma bomba atômica.


A chanceler alemã admitiu que "há pequenas diferenças" entre Alemanha e Brasil sobre como a questão deve ser abordada, e lembrou que o Irã rejeita sistematicamente a cooperar com as autoridades internacionais.
"Também sou da opinião de que não se deve pressionar ninguém, mas já passaram mais de quatro anos de discussões com o Irã e, lamentavelmente, não há progressos", disse Merkel.

Lula, por sua vez, pediu "muita paciência", e afirmou que o Irã não deve ser tratado como "um país insignificante, aumentando cada dia a pressão sobre ele".
"Isso poderá não resultar em coisa boa", ressaltou o presidente.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/lusa/2009/12/03/ult611u83456.jhtm

24 de novembro de 2009

Ahmadinejad pede assento para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU

Ahmadinejad pede assento para o Brasil no CS da ONU
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, defendeu hoje durante sua visita a Brasília a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e um assento permanente para o Brasil no organismo.
"Queremos a ampliação (do Conselho de Segurança) e apoiamos o Brasil", afirmou o governante iraniano após sua reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua visita de um dia à capital federal.
Para Ahmadinejad, deve haver "mudanças fundamentais" nessa instância da ONU que, segundo ele, "fracassou nos últimos 60 anos" na tarefa de estabelecer segurança no mundo, pelo "motivo claro" de que alguns dos países que o compõem "causaram conflitos em muitas partes do mundo".
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU são Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China.
O presidente iraniano deu "as boas-vindas" ao Brasil "na Ásia e no Oriente Médio" e considerou que o país pode ser um elo entre o Irã e a América Latina.
Desta forma, Ahmadinejad segue a linha adotada pelo presidente israelense, Shimon Peres, e pelo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que elogiaram em suas recentes visitas ao Brasil as possíveis contribuições do país às conversas de paz no Oriente Médio.

6 de outubro de 2009

Lula: 'Se Micheletti sair, voltaremos à situação normal'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje a saída do governo interino de Honduras. "Eu acredito que há apenas uma coisa errada em Honduras: há uma pessoa na presidência que não deveria estar lá", afirmou, referindo-se ao líder do governo de facto, Roberto Micheletti. "Se ele sair, voltaremos à situação normal." Lula disse ainda que o governo de facto que tomou o poder após a deposição de Zelaya é ilegítimo. 
 "Se aqueles que participaram do golpe de Estado deixarem o poder e permitirem que o presidente legítimo e democraticamente eleito volte ao cargo, as eleições serão realizadas em novembro e o problema será resolvido", disse Lula em Estocolmo. O presidente está na capital sueca para se reunir com líderes da Suécia e da União Europeia (UE). A Suécia está na presidência rotativa da UE.
Lula afirmou também que o presidente deposto no dia 28 de junho, Manuel Zelaya, é um "hóspede" da Embaixada do Brasil, onde está abrigado desde seu retorno ao país, no dia 21 de setembro. Zelaya foi retirado do cargo com o apoio do Congresso hondurenho e da Suprema Corte por tentar realizar um referendo sobre uma Assembleia Constituinte. Seus oponentes o acusam de querer retirar a regra que limita os presidentes a um único mandato, o que Zelaya nega.
Soldados e policiais cercam a embaixada brasileira em Honduras, onde Zelaya se abrigou no mês passado depois de retornar em segredo a Tegucigalpa num ousado desafio ao governo interino.
OEA
Amanhã, dez ministros de Relações Exteriores de países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) devem chegar a Honduras a fim de estimular o diálogo e ajudar a restaurar a democracia no país.

24 de setembro de 2009

O Brasil e a crise política em Honduras

Crise em Honduras
O Brasil vive um momento de respeitabilidade internacional sem precedentes e que tem contribuído para sedimentar novos consensos junto a organismos internacionais. Diante da imprevisibilidade com que atuam os golpistas em Honduras, a gestão da crise dependerá fundamentalmente da perícia diplomática brasileira e do cuidado técnico em não contribuir para o aprofundamento da violência militar.
Carol Proner (*)
A atual crise vivida por Honduras constitui um caso importante a ser estudado pelo direito internacional do nosso país. Primeiro porque se trata de um conflito que repercute mundialmente e que implica de modo amplo a América Latina e particular o Brasil. Também porque a análise requer a ponderação de diversos aspectos que incluem a legalidade do governo hondurenho e a aplicação de medidas e normas por uma autoridade que não é reconhecida internacionalmente como legítima e, ao mesmo tempo, um amplo espectro geopolítico que vem determinando as ações adotadas por outros países.
O Brasil atualmente está no centro da crise por haver recebido José Manuel Zelaya Rosales em sua Embaixada na condição de convidado por ser o presidente legítimo de Honduras. Zelaya não foi recebido na condição de asilado político, mas de Presidente legítimo. Essa condição de autoridade constitucional já havia sido confirmada por outros 192 países nas Nações Unidas que, por unanimidade, votaram uma resolução de repúdio ao Golpe de Estado exigindo a restauração imediata e incondicional do Presidente Zelaya. No âmbito interamericano a decisão unânime foi no sentido da suspensão de Honduras da Organização dos Estados Americanos com base na ruptura da ordem democrática e no fracasso de iniciativas diplomáticas (Carta Democrática Interamericana).
Outros Estados também adotaram medidas concretas como forma de pressionar o governo golpista a restabelecer a legitimidade. A Comissão Européia anunciou o congelamento de um fundo de ajuda orçamentária ao governo de Honduras e, após haver chamado para consultas todos os embaixadores de seus países-membros com representatividade no país, ratificou a suspensão das negociações de um acordo comercial com os países da América Central até que o presidente deposto retorne ao poder. França, Espanha e Itália tomaram medidas de repúdio ao golpe e o embaixador da Alemanha deixou o país.
A Espanha comunicou a expulsão do embaixador hondurenho em Madri depois de sua destituição pelo presidente Zelaya e destacando ser um ato de coerência com o compromisso da comunidade internacional de manter a interlocução oficial com o governo constitucional de Honduras.
O Departamento de Estado norte-americano, embora pressionado por setores ultraconservadores, anunciou a suspensão da concessão de vistos não emergenciais a cidadãos hondurenhos e planejam cortar mais US$ 25 milhões em assistência caso Zelaya não seja restituído à Presidência.
O caso de Honduras já seria interessante pelo ineditismo de canalizar o amplo repúdio da comunidade internacional a golpes militares e a interrupções bruscas e ditatoriais da normalidade democrática. Mas outros elementos o fazem especialmente chamativo, como o posicionamento do Departamento de Estado norte-americano até o momento e a expectativa pelos gestos futuros, a mudança de postura da OEA que também responde a uma renovação trazida pelo governo de Obama e a coordenação latino-americana em torno de causas comuns.
O Brasil vive um momento de respeitabilidade internacional sem precedentes e que tem contribuído para sedimentar novos consensos junto a organismos internacionais, mas diante da imprevisibilidade com que atuam os golpistas, a gestão da crise dependerá fundamentalmente da perícia diplomática brasileira e do cuidado técnico em não contribuir para o aprofundamento da violência militar. Não há razões para suspeitar que o Itamaraty seja incapaz de enfrentar o ineditismo desse desafio, apesar da resposta covarde dos golpistas e dos saudosistas de regimes militares. Estes não apenas em Honduras.

(*) Carol Proner é doutora em Direito, Professora de Direito Internacional da UniBrasil e Pesquisadora da l'École des hautes études en sciences sociales em Paris, Professora do Programa de Direitos Humanos e Desenvolvimento da Universidade Pablo de Olavide, Sevilha. carolproner@uol.com.br.

4 de junho de 2009

Que mil flores floresçam – Cuba de volta à OEA



A reunião da OEA em Honduras revogou, por aclamação, a resolução de 1962 que expulsou Cuba da Organização dos Estados Americanos.
E quando digo que foi por aclamação, registro que foi por aceitação explícita dos Estados Unidos, principal propositor da expulsão de Cuba desde 1961.
Grande Obama!
A partir de hoje, a volta de Cuba à OEA depende única e exclusivamente do governo cubano.
Essa expulsão de Cuba tem muito a ver com o Brasil.
A Revolução Cubana data de 1959, mas foi no aniversário da revolução, em 26 de julho de 1961, que Fidel Castro pronunciou o histórico discurso: “Yo soy marxista-leninista”.
Logo em seguida, os Estados Unidos convocaram uma conferência da OEA em Punta del Este (Uruguai) e, agressivamente, propuseram o bloqueio econômico e a expulsão de Cuba da organização.
(Eram tempos de Guerra Fria, e tudo o que os americanos não queriam era um foco de sovietismo em seu “quintal”, como se dizia na época. A teoria do “backyard”.)
No Brasil, era o governo Jânio Quadros. Jânio fora a Cuba, na campanha eleitoral (já revolucionária, mas ainda não marxista-leninista). Fidel, em retribuição, visitou o Brasil, no primeiro semestre de 1961.
Entretanto, com a adesão de Fidel ao marxismo-leninismo, em julho de 1961, a Conferência de Punta del Este realizou-se sob a égide do radicalismo típico da Guerra Fria.
Os Estados Unidos apresentaram a proposta de bloqueio econômico a Cuba e sua expulsão da OEA. A delegação brasileira, chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Afonso Arinos de Mello Franco, bateu-se veementemente contra qualquer sanção contra Cuba.
E a tese foi vencedora, ao menos por omissão. Adiou-se a decisão.
O chefe da delegação cubana, ministro da Economia Ernesto “Che” Guevara, fez escala em Brasília antes de retornar a seu país, para agradecer a atuação brasileira.
Recebido pelo presidente Jânio Quadros em 19 de agosto de 1961, Guevara foi condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul, honraria tradicionalmente concedida a importantes autoridades estrangeiras.
Imediatamente, o líder dos exilados cubanos no Brasil, Manuel António Verona, articulou uma reação. Somou-se a isso a reação do líder político contra Jânio, o governador da Guanabara, Carlos Lacerda.
Lacerda, convencido, com muita razão, aliás, de que Jânio queria dar um golpe, usou a condecoração a Guevara para sua pregação contra o presidente da República.
A renúncia do presidente Jânio Quadro em 25 de agosto reforçou o debate entre pró-comunistas e anticomunistas.
Ainda mais, a condecoração a Ernesto Guevara constituiu forte argumento para o golpe de 31 de março de 1964 e para a cassação do ex-presidente Jânio Quadros, na primeira lista de cassados do Ato Institucional nº1, editado em 09 de abril de 1964.
Portanto, a decisão de hoje é histórica, não só para as Américas, porque permite a reinserção de Cuba no concerto das nações do continente, mas também para o Brasil, tendo em vista as ligações entre a condecoração do ministro Guevara e a queda de Jânio Quadros, sua cassação e, de certa forma, a preparação para o golpe de 64.
A data realça a radicalização da Guerra Fria e as bobagens perigosas cometidas pelos generais brasileiros.
Que Cuba seja bem-vinda à OEA e ao concerto das nações democráticas do continente americano.
Que a frondosa árvore de democracia possa florescer também em solo cubano!
* Por: Lúcia hipólito

3 de junho de 2009

OEA revoga suspensão a Cuba depois de 47 anos

A decisão abre caminho para a volta de Cuba à organização.

Após dias de impasse, os países membros da OEA (Organização dos Estados Americanos) decidiram nesta quarta-feira levantar a suspensão imposta a Cuba ainda na Guerra Fria, o que pode permitir que a ilha seja reincorporada ao sistema interamericano.

"A resolução sexta, adotada em 31 de janeiro de 1962 na 8ª reunião da qual se excluiu o governo de Cuba, fica sem efeito na Organização dos Estados Americanos", afirmou a chanceler de Honduras, Patricia Rodas, ao ler a resolução do organismo.

"Que a participação de Cuba na OEA seja resultado de um diálogo realizado a pedido do governo de Cuba e de conformidade com a prática e os princípios" da entidade, acrescentou.

Cuba foi suspensa da OEA em 1962. Na ocasião, os países membros consideraram o regime adotado pela ilha incompatível com os princípios da entidade.

"Hoje demos um passo histórico", disse Ruy de Lima Casaes e Silva, embaixador brasileiro na OEA. "Enterramos o cadáver insepulto que era um obstáculo para um sistema interamericano inclusivo e solidário."

Para o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, a medida corrige um "erro histórico".

"Todos os Estados têm o direito de eleger, sem ingerência externa, seus sistema político, econômico e social", afirmou Zelaya, logo após a leitura da resolução. "A Guerra Fria terminou hoje, aqui em San Pedro Sula. O erro cometido não poderia ser eterno."

"Milagre"

A decisão surpreendeu as expectativas dos chanceleres reunidos em San Pedro Sula, no nordeste de Honduras. Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, havia admitido que um acordo entre os países neste momento seria "um milagre".

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deixou a reunião na noite da segunda-feira advertindo que não havia consenso entre os países e que a posição dos Estados Unidos estava praticamente isolada.

Ao abandonar o encontro, Hillary disse que uma delegação americana acompanharia o prosseguimento da reunião e continuaria pressionando os outros membros da OEA para chegar a um resultado que os Estados Unidos pudessem apoiar.

A reincorporação de Cuba à OEA também depende ainda do governo cubano. Tanto o líder Fidel Castro como seu irmão e presidente, Raúl Castro, afirmaram que não estão interessados em voltar à entidade por considerarem que trata-se de um "instrumento" dos Estados Unidos para o controle regional.

Em seu último artigo, Fidel Castro acusou a OEA de ser "cúmplice" de crimes cometidos contra Cuba.

* Fonte: Cláudia Jardins - de Caracas para a BBC Brasil


18 de maio de 2009

Presidente Lula receberá Prêmio pela Paz da UNESCO em Paris


Cerimônia de premiação acontecerá no próximo dia 7 de julho

Brasília, 15/5/2009 – "A entrega do Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny 2008 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça o valor da história de superação de um operário que, eleito presidente da República, colocou as questões sociais no topo da agenda política. Esta premiação é motivo de grande satisfação.” Assim, o Representante da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny, expressou seu contentamento pela concessão do prêmio ao presidente da República, lembrando que entre esses temas estão a eliminação da miséria extrema, a redução da pobreza e a valorização da educação para todos. Anunciada nessa quarta-feira. 13, a escolha de Lula foi decidida por um júri formado por personalidades como o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger e Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel.

O Diretor-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, também felicitou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela escolha de seu nome para receber o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny 2008, concedido anualmente pela Organização. Em carta, Matsuura expressa o reconhecimento pelas ações do presidente “em favor da paz, do diálogo, da democracia e por sua alta contribuição para a erradicação da pobreza e proteção dos direitos das minorias”.

A cerimônia de premiação será realizada no dia 7 de julho, na sede da UNESCO, em Paris. Na ocasião, Lula receberá de Kissinger, presidente do júri do prêmio, uma medalha de ouro, um diploma e um cheque no valor de US$ 150 mil.
A paz é uma atitude

“A paz não é uma palavra vazia, mas uma atitude”, dizia Félix Houphouët-Boigny, ex-presidente da Costa do Marfim e importante ator do processo de descolonização da África. Criado em 1989, o prêmio que leva seu nome homenageia pessoas, organizações e instituições que tenham contribuído significativamente para a promoção, a pesquisa, a preservação e a manutenção da paz em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Constituição da UNESCO.

Além de Kissinger e Esquivel, o júri do prêmio tem como integrantes nomes conhecidos por suas atividades em favor da paz, como o ex-presidente de Portugal Mario Soares, o ex-ministro da Justiça francês Jean Foyer e o ex-presidente da Corte Internacional de Justiça Mohammed Bedjaoui.

Entre as personalidades já homenageadas pelo prêmio estão Nelson Mandela e Frederik De Klerk (1991); Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat (1993); Jimmy Carter (1994); e o ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari (2007).

No Brasil

Várias políticas públicas originais implementadas pelo presidente Lula contaram com a parceria da UNESCO no Brasil. Entre as parcerias com o governo brasileiro estão ações de combate à miséria extrema, como o Bolsa Família, com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome; a implementação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI), com o Ministério da Justiça; a implementação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), com o Ministério da Educação; e ações em favor da valorização da cultura afro-brasileira, com a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC (SECAD) e o Ministério da Cultura.

“O trabalho desenvolvido pelo presidente Lula demonstra seu empenho em transformar o Brasil em um país mais humano, mais justo e com igualdade social”, comenta Vincent Defourny. A atuação da UNESCO no Brasil está alinhada com as prioridades do país, que se concretizam na construção de políticas públicas que levem em conta a consolidação do respeito aos direitos humanos.

20 de abril de 2009

Chávez dá livro sobre América Latina a Obama



O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, presenteou com um livro o líder americano, Barack Obama, antes da reunião que será realizada na manhã deste sábado, entre presidente dos EUA e os governantes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). De acordo com a CNN, o livro é um exemplar de As veias abertas da América Latina e estaria autografado pelo autor, o uruguaio Eduardo Galeano.
Fontes da presidência venezuelana informaram que Chávez deu a Obama uma edição em inglês deste ensaio sobre o saque dos recursos naturais que sofrido pelo subcontinente latino-americano do século XV até o fim do século XX. O livro é citado com freqüência por Chávez.
O gesto é mais um sinal de aproximação entre os dois líderes, de acordo com a ANSA, cujas presenças em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago, geravam expectativas quanto a um eventual enfrentamento de discursos.
Obama declarou que além de "muito o que aprender", tem "muita vontade de ouvir" os líderes da União de Nações Sul-americanas (Unasul).
O começo do encontro foi marcado por um tumulto envolvendo os jornalistas que tentavam entrar na sala. Na confusão, alguém acabou deixando o local às escuras, e Obama, brincando, perguntou: "Rapazes, quem apagou a luz?".
Ontem, antes do início da sessão de abertura da Cúpula das Américas, ambos se cumprimentaram com um aperto de mãos e sorrisos. Dirigindo-se a Obama, Chávez afirmou que com a mesma mão, há 8 anos, havia cumprimentado George W. Bush. "Quero ser seu amigo", complementou.
O venezuelano chegou para a reunião da Unasul com uma de suas habituais camisas vermelhas e ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já Obama, de terno, ficou próximo da mandatária chilena, Michelle Bachelet.
Segundo informações divulgadas pelo governo chileno, que exerce a presidência da Unasul, a reunião de hoje deverá tratar principalmente do impacto da crise econômica internacional na região.