Mostrando postagens com marcador Movimentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Movimentos. Mostrar todas as postagens

29 de junho de 2009

Campanha Ficha Limpa: Movimento de Combate à Corrupção

Segundo cálculos do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), as assinaturas da Campanha Ficha Limpa no Distrito Federal aumentaram em 70% depois que houve a coleta na Rodoviária do Plano Piloto, entre os dias 25 e 31 de maio. O arcebispo metropolitano do Distrito Federal, dom João Braz de Aviz, participou da atividade.

O ato fez parte da 2ª Etapa da Campanha, que a arquidiocese de Brasília realizou em todo o DF. “Esta participação também estimulou Comunidades Paroquiais a reforçarem suas ações no âmbito desta campanha de forma crescente”, lembra o MCCE.

Com os novos cálculos, o Distrito Federal, sozinho, já coletou 27 mil assinaturas. “Este resultado demonstra o desejo das pessoas na mudança da legislação eleitoral, pois esta proposta de Projeto de Lei aumenta o rol de situações que impedem que pessoas sejam candidatas a cargos eletivos nos poderes Executivos e Legislativos, em âmbito Federal, Estadual e Municipal”, afirmou o presidente do MCCE, Hélio José da Silva.

Para que o Projeto seja apresentado ao Congresso Nacional no início do mês de agosto próximo é necessário um milhão e trezentas mil assinaturas.

De acordo com o projeto, não poderá se candidatar quem tiver cometido crime grave; renunciado ao cargo para evitar a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar; ou condenação por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa.

Mais informações podem ser obtidas com a Comissão Justiça e Paz (CJP) da CNBB ou no site: www.lei9840.org.br.

24 de fevereiro de 2009

Gandhi e Luther King na Campanha da Fraternidade




Segurança positiva, em oposição à insegurança provocada pela violência e pelo medo, é a tônica da Campanha da Fraternidade de 2009, que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançará amanhã, Quarta-Feira de Cinzas, nas 270 dioceses católicas do País. O lançamento oficial será na Basílica de Aparecida, em São Paulo, em missa celebrada pelo arcebispo D. Raymundo Damasceno Assis, presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). "A campanha deste ano, cujo tema é Fraternidade e Segurança Pública, promoverá um debate amplo sobre a cultura da paz", diz o secretário executivo da campanha, cônego José Alberto Vanzella, autor do texto-base publicado para orientação das comunidades.

Para superar a violência, a Igreja propõe que toda a sociedade, e não apenas católicos, busque a paz seguindo exemplo de homens como Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Sérgio Vieira de Melo, assassinados enquanto lutavam contra a injustiça e a opressão. "Precisamos mudar a mentalidade e a hierarquia de valores, num processo certamente demorado que deve envolver também o poder público", adverte Vanzella.

O coordenador nacional da Pastoral Carcerária, Gunther Alois Zgubic, um padre austríaco que trabalha há 20 anos no Brasil, considera indispensável o comprometimento das cerca de dez mil paróquias e o apoio de outros grupos religiosos. "O número de homicídios caiu em São Paulo depois que o governo construiu mais escolas de ensino médio", afirma, apontando o investimento nos jovens como um dos principais caminhos para combater a violência. Gunther dá dois exemplos de sucesso no combate à violência - o município de Diadema e bairro paulistano do Jardim Ângela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

20 de fevereiro de 2009

Novos valores para nova civilização


No Fórum Social Mundial de Belém se concluiu que as alternativas ao neoliberalismo e à construção do ecossocialismo não se engendram na cabeça de intelectuais ou de programas partidários, e sim na prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, camponeses, indígenas, étnicos, ambientais e comunidades de base.

Para gestar tais alternativas exigem-se pelo menos quatro atitudes. A primeira, visão crítica do neoliberalismo. Este aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possam pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das nações pobres rumo às ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz os postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo; e intensifica o processo de destruição do equilíbrio ambiental do planeta.

A segunda atitude, organizar a esperança. Encontrar alternativas é um trabalho coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente do que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham lavrar sua própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente.

Terceira atitude: resgatar a utopia. O neoliberalismo não visa a destruir apenas as instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato, movimentos sociais e Estado democrático. Seu projeto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura sócio-político-econômica na qual se insere e o considera mero consumidor. Estende-se, portanto, também à esfera cultural. Como diria Emmanuel Mounier, o individualismo é oposto ao personalismo. Pascal foi enfático: "O Eu é odioso".

No seu apogeu, o capitalismo mercantiliza tudo: a biodiversidade, o meio ambiente, a responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos arrancados de crianças e até mesmo o nosso imaginário. Um exemplo trivial é o que se gasta com a compra de água potável engarrafada em indústria, dispensando o velho e bom filtro de cerâmica ou mesmo a coleta da limpíssima água da chuva após um minuto de precipitação.

Sem utopias não há mobilizações motivadas pela esperança. Nem possibilidade de visualizar um mundo diferente, novo e melhor.

Quarta atitude: elaborar um projeto alternativo. A esperança favorece a emergência de novas utopias, que devem ser traduzidas em projetos políticos e culturais que sinalizem as bases de uma nova sociedade. Isso implica o resgate dos valores éticos, do senso de justiça, das práticas de solidariedade e partilha, do respeito à natureza. Em suma, trata-se de um desafio também de ordem espiritual, na linha do que apregoava o professor Milton Santos, de que devemos priorizar os "bens infinitos" e não os "bens finitos".

O projeto de uma sociedade ecossocialista alternativa ao neoliberalismo exige revisar, a partir da queda do Muro de Berlim, os aspectos teóricos e práticos do socialismo real, em particular do ponto de vista da democracia participativa e da preservação ambiental.

O ecossocialismo se caracterizaria pela capacidade de incorporar conceito e práticas de igualdade social e desenvolvimento sustentável a partir de experiências dos movimentos sociais e ecológicos, assim como da Revolução Cubana, do levante zapatista de Chiapas, dos assentamentos do MST etc.

É vital incluir no projeto e no programa os paradigmas ora emergentes, como ecologia, indigenismo, ética comunitária, economia solidária, espiritualidade, feminismo e holística.

Este sonho, esta utopia, esta esperança que chamamos de ecossocialismo, não é senão a continuação das esperanças daqueles que lutaram pela defesa da vida, como Chico Mendes e Dorothy Stang, dois lutadores cristãos que deram suas vidas pela causa dos pobres, dos explorados, dos indígenas, dos trabalhadores da terra e dos povos da floresta.

Frei Betto é escritor, autor de "Cartas da Prisão" (Agir), entre outros livros.

Campanha da Fraternidade 2009 debate "Segurança Pública"



"Fraternidade e Segurança Pública" este é o tema que a Igreja irá trabalhar durante a Campanha da Fraternidade 2009. O tema, proposto pela Pastoral Carcerária, foi apresentado hoje, 20, pela arquidiocese de Aracaju à imprensa.

Tema importante para toda a socieade que merece aprofundamento e debates.

“Nosso objetivo principal é suscitar o debate convidando as autoridades e a população para juntos discutirmos o tema”, afirmou o coordenador da campanha, Rogério Jesus Santana. Ele disse ainda que a iniciativa visa promover a cultura da paz, tendo como alicerce a justiça social, daí o lema 'A Paz é Fruto da Justiça'.

Outra questão que será levantada no debate é o atual modelo penal, que para a Igreja deve ser ‘educativo’ e não ‘punitivo’. “Só se pensa em construir cadeias e não se preocupam em resgatar aqueles que cometeram os delitos”, afirma o Padre José Almi, coordenador de pastoral da Arquidiocese de Aracaju.

Além de discutir como combater a violência e as suas causas e conseqüências, o padre Almi destaca que “o combate à violência não depende só dos poderes públicos, a arma mais perigosa está dentro de cada um”.

A abertura oficial da campanha acontece na próxima sexta-feira, 28, na Catedral Metropolitana e foram convidados a comparecer todas as autoridades políticas e ligadas à questão de segurança pública no Estado.

Carla Sousa

29 de janeiro de 2009

Fórum Social Mundial: a Amazônia e o mundo


A 9ª edição do Fórum Social Mundial em Belém, Pará, está cercada de esperança. Depois do primeiro, em Porto Alegre, 2001, este talvez seja o mais importante. Por pelo menos três motivos principais: a conjuntura mundial, com a crise econômica em curso; o fato de ser realizado na Amazônia; e as mudanças em processo na América do Sul e América Latina.

O FSM surgiu no contexto do capitalismo neoliberal. Embora no início dos anos 2000 já houvesse os primeiros questionamentos ao Consenso de Washington, o modelo do Estado mínimo, da visão privatista, das políticas sociais compensatórias, acompanhado de toda uma gama de valores, era dominante. Como disse alguém anos atrás, seria o fim da história. O Fórum foi a primeira articulação mundial contra o neoliberalismo de todos aqueles que queriam algo diferente e novo, mesmo com sua pluralidade, seu amplo espectro de matizes ideológicas, sua falta de ambição em fazer proposições. (Após o término do primeiro Fórum, a grande discussão dos organizadores e de todos que participamos de sua construção era se o Fórum não deveria se transformar, de um centro de debates, troca de idéias e experiências, em um centro formulador e mobilizador de políticas e propostas para o mundo, a sociedade e os governos.)

De toda forma, o Fórum começou a dar um sentido e um rumo a milhares de ações dispersas, a milhares de organizações que não tinham um espaço aglutinador. E passou a ser um contraponto ao Fórum Econômico de Davos. A partir daí, mudanças começaram a acontecer especialmente na América do Sul e Latina, já latentes, mas agora impulsionadas por novos referenciais e valores.

A crise econômica, da qual ainda não se sabe bem a extensão e profundidade (cada dia especialistas trazem novas avaliações), com certeza abre oportunidade de repensar projetos de desenvolvimento e de sociedade. O modelo neoliberal faliu, não o capitalismo por certo. Mas no meio da crise é possível pensar que tipo de Estado se quer e precisa, que formas de produção caminham no sentido da igualdade e da partilha e têm base na solidariedade, que relações humanas e sociais devem ser (re)construídas, que valores devem ser predominantes para vencer o individualismo, enfrentar a violência crescente, a fome e a desigualdade.

O fato de o Fórum de realizar na Amazônia adquire um simbolismo especial. O mundo começa a se dar conta de que os temas da ecologia e do meio ambiente são decisivos hoje para a humanidade. E que o atual modelo de desenvolvimento, baseado no crescimento econômico, no acúmulo de bens, na massificação da produção de mercadorias, é insustentável a médio e longo prazo. A Amazônia, por todas as razões, é o exemplo maior dos dilemas e problemas a resolver. Como preservá-la, por um lado, com seus rios, água, florestas e biodiversidade? Como garantir que o capitalismo predador e a ganância desmedida não a destruam em pouco tempo? Como, por outro lado, construir, junto com a população local, um projeto de desenvolvimento que aproveite suas riquezas, dando condições de vida digna para seus habitantes? Ao mesmo tempo, como incorporar nas perguntas, respostas e nas soluções para a Amazônia o tema ambiental e a ecologia em plano mundial e até planetário?

A América do Sul e Latina estão vivendo o momento mais rico de sua história de quinhentos anos, da qual são expoentes países que fazem parte da Amazônia  Brasil, Bolívia, Venezuela e Equador. As experiências de governos de esquerda, centro-esquerda e progressistas são fruto da busca de um projeto alternativo que os movimentos sociais e diferentes organizações vêm tentando construir e implantar nas últimas décadas, baseadas em experiências locais de base, na auto-organização dos trabalhadores e excluídos, na educação popular, na construção de políticas públicas e de processos democráticos de baixo para cima. Estas experiências, de matizes diversas, têm um ponto em comum, Um Outro Mundo é possível, isto é, não aceitam e não querem mais o que está aí, e precisam ser fortalecidas e consolidadas.

Os desafios, portanto, deste FSM são muitos. As mais de cem mil pessoas esperadas estarão, com certeza, imbuídas deste sentido e compromisso. É preciso avançar e o momento histórico abre possibilidades que não podem ser desperdiçadas. A Rede Talher de Educação Cidadã, coordenada pela Assessoria de Mobilização Social da Presidência da República, e por sinal uma das organizadoras do Fórum, realizará na tarde do dia 29 de janeiro o seminário Organização, Educação Popular e Participação Social na América Latina : Dilemas e Desafios, com participação do ministro de Direitos Humanos do governo brasileiro, Paulo Vannuchi, de Frei Betto, do educador popular da Costa Rica, Oscar Jara, e do vice-ministro de Educação Superior da Bolívia, Diego Pari. O objetivo é contribuir no debate e conhecimento das experiências em curso no Brasil e na América Latina desenvolvidas pela sociedade civil e por governos comprometidos com a construção de modelos de sociedade justos e democráticos.

Os lutadores e lutadoras sociais estão em festa por poderem viver este momento. O 9º Fórum Social Mundial de Belém será mais um tijolo colocado na construção de Um outro Mundo possível.

* Selvino Heck - assessor especial do Presidente da República