10 de janeiro de 2009

Pensando diferente ( A política)

Política não é uma ciência exata. Não é como matemática, em que a soma de dois mais dois é, inexoravelmente, quatro. Nem como a física, que se baseia na matemática para calcular, com exatidão, a natureza, suas forças, transformações e fenômenos. Ou a química, que une fórmulas e chega a uma produção também do universo e que se relaciona com a natureza. Ou a biologia que vê com exatidão a vida. A política se movimenta como as nuvens e tem formatos diferentes, até que são redesenhadas pela vontade da cidade, do estado e da sociedade, que são a sua essência. Todo mundo já leu “O Príncipe”, do atualíssimo Maquiavel. Escreveu que “política é a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o próprio Governo”. Maquiavel, um estrategista político avançados em todas as épocas, conseguiu mostrar que “os fins justificam os meios” e a formalizar idéias que fortaleciam a manutenção do poder em mãos daqueles que lhe favoreciam.

Hoje a política continua assim, regada por três formas de Governo, embora dentro de um regime democrático: “demagógica, corporativista e oligarca”. Mas, tudo isso está cansando. A sociedade começa a perceber que é massa de manobra e não parece conformada com essa política que se faz para ascensão de poucos que estão, dentro dos ensinamentos de Maquiavel, próximos ao rei. Há uma rotina política nos Estados e no País. o Poder é explorado por pequenos grupos que manobram a política a cada período, e se põem a serviço de uma casta pouco confiável, que se aproveita bem dos bens públicos. Isso até que os outros mesmos adversários lhes tomem o comando, também através do mesmo povo que, aí sim, como dizia o ilustre banqueiro Magalhães Pinto, “um dia está aqui, outro ali, assim como as nuvens”. Os governantes, em seus picos de generosidade, dizem que estão a serviço da comunidade que o colocou no Executivo. Já os parlamentares se mostram representantes do povo, que realmente são, só que não lhe dão a menor satisfação.

É um conceito absolutamente falso, porque o povo, aquele “zé-mané” que se esgana em campanhas e defende candidaturas, nem participa da “feijoada” e muito menos tem representação condigna. Quem perguntou ao povo se ele aceita fulano ou sicrano como secretário? É verdade que a vitória democrática através do voto dá uma procuração legítima para que os governantes façam o que lhes venham à cabeça. Mas, mesmo que seja um termo ilustrativo, não é sereno dizer que ao ser eleito se transformou em empregado ou representante de uma sociedade, que só tem direito a se manifestar diante das urnas. Todos sofrem suas dificuldades, decepções, desilusões e traumas, mas a cada dois anos estão prontos para cometer os mesmos equívocos em nome de amizades, de idolatrias e, do que é mais freqüente, pela venda de sua própria dignidade, que representa o voto.    

A ação política é um movimento rotativo, que vem de séculos e que começou no Brasil com o início da República, onde cada um tinha o seu “Maquiavel”, e fez deste país uma Nação conservadora, oligarca e, pior, dominada pelo nepotismo. Dificilmente se terá um país livre e independente, em que os seus representantes pensem mais nas camadas necessitadas e não mantenham no topo das decisões uma elite desumana, indiferente, gananciosa, invariavelmente corrupta e que manobra toda a estrutura social que vive apenas para servir. O que falta é uma reação do eleitorado em relação aos políticos que têm hoje e aos futuros que virão. Há necessidade de se compreender que sem o povo, sem a força de uma sociedade livre, sem o voto consciente, não se formam lideranças que tenham compromissos direto com os seus liderados e que exerçam um Governo voltado para os interesses mais emergentes de pessoas que residem nas periferias, nos povoados e nas favelas, que não têm direito à saúde, segurança, educação e nunca conversaram com “o seu empregado”, sobre as necessidades mínimas para se tornarem humanos.

A mentalidade política precisa avançar muito. Avançar e mudar. Porque já não dá para suportar a formação de um poder administrativo, com pessoas que ocupam funções importantes apenas pela indicação política, jamais pela competência para atender aos anseios da sociedade.

 

* Diógenes Brayner

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