“Olê, olê, olê, olá, Lula, Déda”. Foi com a entonação nostálgica desse famoso bordão que os milhares de sergipanos, advindos dos quatro cantos do Estado, recepcionaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite dessa quarta-feira, 29, na praça dos mercados centrais de Aracaju, durante um grande comício a favor da reeleição do governador Marcelo Déda (PT) e da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República.
A praça dos mercados ficou pequena diante de tanta gente. Eram caravanas chegando de vários municípios, trazendo consigo verdadeiros peregrinos para somar-se aos milhares de cidadãos que estavam vestidos de vermelho e com bandeiras em punho, transformando a praça num verdadeiro Mar Vermelho, o vermelho da mudança, o vermelho do Partido dos Trabalhadores (PT).
O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, que representou a candidata Dilma Rousseff, foi o primeiro a discursar. Ele disse que há oito anos, os brasileiros elegeram o primeiro operário como presidente, contrariando as elites que comandavam o Brasil. “A esperança venceu o medo. A atriz Regina Duarte foi para a televisão para dizer que tinha medo de Lula. As elites diziam que ele não seria capaz de controlar a economia nem gerar emprego. Lula não só controlou a economia como criou mais de 14 milhões de empregos. É esse projeto que deve ser continuado com Dilma e com Déda”, declarou Dutra.
O governador Marcelo Déda abriu o seu pronunciamento agradecendo a presença da população, denominando-a de ‘autoridade maior’. “Peço permissão ao meu amigo, compadre e companheiro Lula, mas a maior autoridade que está aqui hoje é esse povo”, disse, sob intermináveis aplausos. “Este povo, Lula, veio da praia, do Sertão, do Vale do Cotinguiba, do Agreste, do Sul do Estado para ver você, meu amigo. Eles não podem te abraçar, mas podem abraçar com os olhos e com a alma generosa”, completou.
Déda continuou afirmando que o Estado de Sergipe pode ser o menor da federação, mas sua gente não é menor que outro povo. “Somos pequenos em território, mas a nossa gente é igual a todas as outras. O sergipano Gilberto Amado dizia que Sergipe só é pequeno para não competir com a grandeza de seus filhos”, parafraseou ele.
O governador lembrou dos seus mais de 30 anos de vida política sempre ao lado de Lula e demais companheiros do PT, partido pelo qual fundou em Sergipe. “Lembro-me de estar com você Lula, levantando as bandeiras contra a ditadura, lembro-me das dezenas de vezes que você veio a esse Estado. Lembro-me de você em Itabaiana, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Porto da Folha, na cidade de Propriá e em cima de uma barraca de feira no bairro São Conrado, em Aracaju. Esse povo não lhe conhece apenas como presidente, mas como o maior líder popular que essa nação já teve”, relembrou.
Déda disse ainda que Lula, ao ser eleito presidente, derrubou o muro do preconceito, erguido pelos partidos PSDB e DEM. “Do seio do povo nasceu o filho do Brasil. A ‘tucanada’ e os demistas diziam que Lula era apenas um operário nordestino que não tinha capacidade para governar. A ‘tucanada’ tinha muitos anéis nos dedos e pouca vergonha na cara, porque esse homem tem mais de 80% de aprovação popular”, contestou Déda.
Ao concluir sua fala, Déda olhou nos olhos do presidente e traduziu o sentimento do povo. “Você vai deixar a presidência, mas vai ficar guardado no coração de todos os brasileiros. Pode voltar para São Bernardo de alma leve, porque você foi o maior presidente na história desse país. Volte para casa tranquilo, os ‘tucanos’ e os ‘demos’ não vão voltar, porque o povo vai eleger Dilma. Não ouçam os falsos profetas, Lula vai deixar o seu povo nas mãos de uma mulher”, concluiu ele, fazendo questão de dizer que o presidente precisou de dois mandatos para consolidar as mudanças.
‘Se Lula que é Lula, precisou de dois, eu também preciso de mais um mandato para Sergipe continuar seguindo em frente com a graça de Deus e ele há de querer”, finalizou o governador.
Discurso do presidente
Antes de começar a falar, o presidente Lula foi interrompido por um turbilhão de aplausos e pela entonação do seu famoso bordão, consagrado ainda quando ele era líder sindical.
“Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, ecoava do público. Emocionado, Lula agradeceu a todos pelo reconhecimento. “Se tem uma pessoa que deve levantar a mão para o céu e agradecer à Deus por tudo, esse alguém sou eu. Sair de onde saí, passar fome e dificuldade, chegar a ser sindicalista, criar a Central Sindical, fundar partido político e chegar na Presidência, é o máximo do máximo”, revelou ele.
Lula disse que em 1989, primeiro ano em que disputou a Presidência, era taxado de comunista. “Naquela época, diziam que o Lula era barbudo e se esqueciam de que Jesus também tinha sido barbudo, diziam que a bandeira do PT era vermelha, fui chamado de comunista várias vezes, lembro-me da frustração. Mas hoje, agradeço por ter perdido três eleições, porque quando fui eleito em 2002 estava mais preparado”, salientou.
O presidente disse ainda que faltam três meses para ele encerrar seu mandato, e que pode colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. “Ainda temos muito a fazer, não podíamos resolver os problemas de 500 anos em oito, mas sabemos que fizemos muito por esse país. Não devemos mais ao FMI, não se vê filas no INSS para aposentadoria, assentamos milhares de famílias com a Reforma Agrária, levamos luz para milhões de residências e consolidamos a economia”, destacou Lula.
O divisor de águas na política
O petista fez questão de afirmar que o governador Marcelo Déda é um divisor de águas na política sergipana. “Você está rompendo a elite, separando a história velha da nova, representando o novo da política sergipana. Chega de Albano/João, João/Albano, agora é Déda neles para o desenvolvimento”, exclamou o presidente.
De acordo com Lula, a população precisa eleger Déda para governador, os candidatos Antônio Carlos Valadares (PSB) e Eduardo Amorim (PSC) para o senado e a candidata Dilma Rousseff para presidente. Ele revelou ainda que escolheu Dilma por um motivo especial.
“Porque escolhi uma mulher para me suceder e não um homem? Porque tenho na memória a imagem da minha mãe que nasceu e morreu analfabeta. De uma mãe que cuidava de mim quando estava doente, que me ensinou a andar, que me amamentou. A mulher sabe cuidar melhor, assim como minha mãe cuidou de mim, o Brasil precisa de um cuidado de mãe, não para governar, que é uma expressão elitista, mas para cuidar do povo, porque não há nada mais sagrado que o sentimento da maternidade”, explicou o petista.
Lula continuou seu pronunciamento dizendo que depois de uma experiência bem-sucedida de um metalúrgico na Presidência da República, chegou a vez de uma mulher. “Eu não indicaria uma pessoa que eu não tivesse confiança e sem competência para o meu lugar, eu tenho a certeza de que Dilma será o melhor para o Brasil”, evidenciou ele.
Ao final, o presidente afirmou que o governador Déda tem um grande futuro pela frente. “Pense num cabra inteligente, é Déda. Ele tem um grande futuro e não imagino os sergipanos votando em outros candidatos que não sejam Déda e Dilma. A partir de amanhã, vamos conquistar a independência definitiva, vamos sair às ruas levantar as nossas bandeiras. Déda disse que vai me dar um telefone vermelho para ele me ligar no dia 3, depois das 17h, para dizer que Sergipe fez a maior votação e elegeu Dilma e Déda para fazer mais e melhor pelo povo”, concluiu ele.
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